segunda-feira, 8 de abril de 2013

Dúvidas que me consomem...


Não é novidade para quem me conhecem o meu desejo de sair do país. E não é por esta crise que nos abala, não, sempre tive esta vontade de fazer a minha vida noutro país e os meus pais sempre o souberam que, em algum momento futuro, ia agarrar nas minhas coisinhas e fazer a minha vida noutro lado. Porque, apesar de gostar da aldeia onde vivo, sinto aquele choque intelectual quando estou nas cidades, sinto a falta de mais, de ter a oportunidade de sair debaixo das asas dos meus pais e ter a oportunidade de aprender mais, de amadurecer, ser responsável, não depender dos meus pais, de crescer pessoalmente e profissionalmente.  

Gostava de sair já este ano, no final, ou no início do próximo ano. Começar, definitivamente, uma nova vida. Termino o curso este ano. Londres é  a minha opção. Conheço a língua, alguns costumes, tem lá a escola que quero frequentar e a nível profissional, então não posso falar, é o núcleo. 

Mas depois, aquelas dúvidas invadem-me, será que estou preparada para viver sozinha? Tenho coragem de me meter num avião, atravessar o atlântico e ficar a viver num sitio onde não conheço ninguém, ninguém, ninguém. Estar longe dos amigos? Da família? Estarei preparada para a sensação de chegar a casa e não ter ninguém parar conversar? Será que me vou desenrascar no Inglês ou vou ficar toda atrapalhada e esquecer-me das palavras como me acontece sempre que fico nervosa?

Com a situação cá em Portugal, esta opção tem cada vez mais importância e já noto que os meus pais começam a levar a sério. Tenho amigas que acabaram os seus cursos à dois anos, e só três delas estão a trabalhar, em cafés e supermercados. Passaram a sua vida inteira a estudar para agora verem as suas opções cortadas, sujeitarem-se a trabalhar num estabelecimento sem grande visão futura, opções de subir na carreira, desistirem dos seus sonhos devido à situação do país.

Também dizem que eu sou a única pessoa capaz de fazer isto. Dizem que eu sou capaz.  Sou dedicada, aplico-me bastante no que quero, no que tenho de fazer, e a maior parte das vezes consigo-o, não por uma questão de sorte mas, pelo tempo, esforço e trabalho que dedico até ficar como eu gosto. Numa conversa com uma amiga, este assunto veio ao de cima, ela tranquilizou-me e esteve sempre do meu lado. E, apesar de não falar destas minhas hesitações e dúvidas, não quer dizer que não as tenha. 

Sempre fui independente, nunca fui de depender bastante das outras pessoas mas, sinto que me vou sentir sozinha lá, que vou sentir a falta de ter alguém lá para mim, e sei que durante os primeiros meses vou chorar, arrepender-me, querer voltar para casa, mas também sinto vou conseguir.

Já só faltam três meses para terminar o curso e aumenta cada vez mais, aquele sentimento de impotência face ao clima que se vive em Portugal aumenta, aquela vontade de que o tempo abrande para não ter de fazer parte da taxa de desempregados, todas aquelas questões todas que me assaltam à noite de "o que é que eu vou fazer agora?". No final de contas, sinto que esta opção para mim tem cada vez mais sentido. 

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